O cheiro do milho nunca tinha
estado tão presente como naquela noite, bandeirolas coloridas flameavam em
contraste com a fogueira ao fundo do terreno de terra. O som das risadas ecoava
e minha mão direita segurava firme no palito daquela maçã do amor.
O açúcar cristalizado reluzia em um
vermelho brilhante, quase perfeito com algumas pequenas bolinhas de ar. Olhava
para ela com um cenho franzido, nunca entenderia por quê se chamava “maçã do
amor”, o que havia de amor nela? Era só por que tinha muito açúcar e o amor
deveria ser doce?
Não entrava na minha cabeça como um
doce tão difícil de comer tinha esse nome, era duro para morder e quando mordia
o açúcar poderia quebrar em mil pedaços, a boca inteira ficava melecada, a mão
também. Depois de tudo isso só sobrava a fruta, sem a camada doce que a cobria.
O amor então deveria ser assim?
Doce por fora e tão normal por
dentro?
Seria uma metáfora para a fase da
lua de mel e logo o cair na realidade?
As rachaduras no açúcar seriam a
representação do meu coração quebrado em pedaços?
O açúcar tão doce no início poderia
ser a intensidade?
O melecar-se significa que apesar
de tudo estamos impregnados pelo amor?
Sacudi a cabeça vendo a quadrilha
começar a formar-se, estava pensando de mais em um simples doce típico de
festa. E tal vez fosse isso, às vezes a gente pensa de mais no amor, com medo
do que pode acontecer, com medo de enjoar ou de não terminar gostando. Por que
não podemos somente sentir e aproveitar enquanto dura? Às vezes pode durar até
mais do esperado, como a memória de festas juninas passadas onde ele costumava
presentear-me com a maçã do amor perfeita, que era tão fácil de comer.


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